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Dados da autora Alda Inacio
              


                               Um pouco de mim


Este não é um curículo Lato Sensus, é relato de vida de uma mulher vitoriosa.

Falar sobre eu mesma, só se for para me divertir, já que minha vida mistura dor e riso e eu prefiro rir do que chorar.

Uma virgem aos 18 anos em viagem sola de Esteio RS a São Paulo.

Filha de mãe lavadeira, analfabeta, sendo considerada muito inteligente e confiável nos arredores da minha residência. Aos 18 anos nunca havia namorado, só queria estudar. Terminei o ginasial em 1970 no ginásio Ruben Dario de Sapucaia do Sul. Morava em Esteio e andava 7 kilômetros para estudar em Sapucaia. Foi em janeiro de 71 que uma vizinha, abonada financeiramente, me perguntou se eu tinha coragem de ir a São Paulo a convite da amiga Vera, cuja família havia mudado para aquela capital. Eu deveria comprar roupas para a filha daquela família e aceitei. Mil quilômetros de distância. Aquela família confiou em mim. Cheguei em São Paulo, comprei as roupas enviei ao sul e fui procurar trabalho com a decisão de não voltar ao sul.

Dormi no chão batido na casa da amiga Vera, sem forro e sem coberta. Eu dormia ao lado do cachorro da casa e esperava a família dormir, roubava a coberta do cachorro e me cobria para conseguir dormir com temperatura em torno de 5 graus. Logo arrumei emprego e conheci o rapaz que veio a ser meu primeiro namorado e meu marido, pai dos meus quatro filhos. Sozinha em São Paulo, casei virgem e cheia de orgulho.

Voltei a estudar terminei o colegial, prestei vestibular para Comércio Exterior e Economia, passei nos dois e escolhi economia. A empresa pagava a faculdade particular. Perdi a faculdade para seguir a família em mudança para o Estado de Goiás m 1990. Prestei novo vestibular e cursei a federal de Filosofia sem finalizar. Os problemas familiares eram pesados demais e optei por deixar a universidade. Fui dar aula de inglês. Dois anos depois prestei novo vestibular e passei. Cursei línguas, português/espanhol. Quando estava quase finalizando fui convidada a dirigir uma grande escola na região da minha residência o Colégio Juvenal José Pedroso, zona leste de Goiânia. Eu carregava nas costas um casamento terrível de suportar, uma escola grande demais e uma universidade. Filhos adolescentes e adultos e minha vida virou um caos insuportável.

Veio o divórcio em 1995. Fiquei meio perdida porque senti que os filhos se dividiram e me pareceu que escolheram o pai, dado a ausência deles em casa, a partir do divórcio. Eu me vi numa solidão cruel. Pedi o divórcio, eu quis a solidão mas, o pai dos meus filhos foi dormir no sofá da casa da irmã dele. Eu fiquei com a propriedade da família. Isso estava me matando. Apesar das mágoas eu não queria vê-lo assim.

Em 97 surgiu a oportunidade de morar e trabalhar na Europa, eu não pensei dua vezes. Resolvi a situação do ex marido que veio de volta para casa ficar com os filhos, enquanto eu estava fora. Dei a minha casa para ele, o que veio a me causar grande embaraço tempos depois. Numa viagem ao Brasil percebi que havia perdido a casa. Ele não me devolveria minha casa nunca mais. Voltei para a Europa depois de 15 dias no Brasil e fui armar um plano para recuperar parte da propriedade. Um ano depois voltei ao Brasil e dividi no meio a casa, deixando todos surpresos. Dei a melhor parte da casa para ele e fiquei com tudo para construir e transformar aquilo que me sobrou em casa habitável.

Durante o período de casamento, que durou 23 anos, a literatura entrou e saiu da minha vida. Só consegui escrever os doze livros que publiquei nos anos 2010 para cá. Foi quando regressei da Europa após quase 14 anos vividos na Bélgica. 

Hoje sou webmaster e escritora, mas não gosto de me intitular escritora, sou autora, faço muitas coisa, umas fiz e parei, pintei quadros, monto uma roupa rapidamente e costuro, fiz humor, vídeos engraçados,  fui compradora de ouro, sem conhecer o ofício, diretora de escola, disso gostei muito, me deu certo status e falhei em muitas outras áreas que não pude levar adiante. Gosto de rir e sou caseira, entocada em casa por escolha própria. Se eu fosse me autodenominar eu diria que meu forte é pensar. Sou livre pensadora e perco horas diariamente organizando meus pensamento. Avanço na questão espiritual para compreender de onde viemos, quem somos e para onde vamos. Nesse plano estou segura e tenho plenitude de confiança em Deus.

No momento estou escrevendo a biografia das minhas raízes, uma linda história dos meus antepassados, meus avós que eram uruguaios e minha vó, de quem eu herdei a ousadia. Ela pulou no rio Cuareim e veio para o Brasil para não ser trancada em um convento.



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